quinta-feira, 19 de novembro de 2009

...

The Flaming Lips - Do You Realize?

Você se dá conta de que tem o rosto mais bonito?

Você se dá conta de que estamos flutuando no espaço?


Você se dá conta de que a felicidade te faz chorar?


Você se dá conta de que todo mundo que você conhece morrerá um dia?

E ao invés de ficar dizendo adeus, deixe-os saberem


que você se dá conta de que a vida é curta


E que é difícil fazer as coisas boas durarem


Você se dá conta de que o sol não se põe


É só uma ilusão causada pelas voltas do mundo


Você se dá conta


Você se dá conta de que todo o mundo que você conhece morrerá um dia?


E ao invés de ficar dizendo adeus, deixe-os saberem


que você se dá conta de que a vida é curta


E que é difícil fazer as coisas boas durarem


Você se dá conta de que o sol não se põe


É só uma ilusão causada pelas voltas do mundo


Você se dá conta de tem o rosto mais bonito?


Você se dá conta?
 
Letra do: The Flaming Lips

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O calor do sol em uma tarde de inverno!

A Extraordinária Aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no Verão na Datcha



A tarde ardia em cem sóis


O verão rolava em julho.


O calor se enrolava


no ar e nos lençóis


da datcha onde eu estava,


Na colina de Púchkino, corcunda,


o monte Akula,


e ao pé do monte


a aldeia enruga


a casca dos telhados.


E atrás da aldeia,


um buraco


e no buraco, todo dia,


o mesmo ato:


o sol descia


lento e exato


E de manhã


outra vez


por toda a parte


lá estava o sol


escarlate.


Dia após dia


isto


começou a irritar-me


terrivelmente.


Um dia me enfureço a tal ponto


que, de pavor, tudo empalidece.


E grito ao sol, de pronto:


Desce!


Chega de vadiar nessa fornalha!
E grito ao sol:


Parasita!


Você aí, a flanar pelos ares,


e eu aqui, cheio de tinta,


com a cara nos cartazes!


E grito ao sol:


Espere!


Ouça, topete de ouro,


e se em lugar


desse ocaso


de paxá


você baixar em casa


para um chá?


Que mosca me mordeu!


É o meu fim!


Para mim


sem perder tempo


o sol


alargando os raios-passos


avança pelo campo.


Não quero mostra medo.


Recuo para o quarto.


Seus olhos brilham no jardim.


Avançam mais.


Pelas janelas,


pelas portas,


pelas frestas


a massa


solar vem abaixo


e invade a minha casa.


Recobrando o fôlego,


me diz o sol com a voz de baixo:


Pela primeira vez recolho o fogo,


desde que o mundo foi criado.


Você me chamou?


Apanhe o chá,


pegue a compota, poeta!


Lágrimas na ponta dos olhos


- o calor me fazia desvairar, eu lhe mostro


o samovar:


Pois bem,


sente-se, astro!


Quem me mandou berrar ao sol


insolências sem conta?


Contrafeito


me sento numa ponta


do banco e espero a conta


com um frio no peito.


Mas uma estranha claridade


fluía sobre o quarto


e esquecendo os cuidados


começo


pouco a pouco


a palestrar com o astro.


Falo


disso e daquilo,


como me cansa a Rosta²,


etc.


E o sol:


Está certo,


mas não se desgoste,


não pinte as coisas tão pretas.


E eu? Você pensa


que brilhar


é fácil?


Prove, pra ver!


Mas quando se começa


é preciso prosseguir


e a gente vai e brilha pra valer!¿


Conversamos até a noite


ou até o que, antes, eram trevas.


Como falar, ali, de sombras?


Ficamos íntimos,


os dois.


Logo,


com desassombro


estou batendo no seu ombro.


E o sol, por fim:


Somos amigos


pra sempre, eu de você,


você de mim.


Vamos, poeta,


cantar,


luzir


no lixo cinza do universo.


Eu verterei o meu sol


e você o seu


com seus versos.


O muro das sombras,


prisão das trevas,


desaba sob o obus


dos nossos sóis de duas bocas.


Confusão de poesia e luz,


chamas por toda a parte.


Se o sol se cansa


e a noite lenta


quer ir pra cama,


marmota sonolenta,


eu, de repente,


inflamo a minha flama


e o dia fulge novamente.


Brilhar para sempre,


brilhar como um farol,


brilhar com brilho eterno,


Gente é pra brilhar


que tudo o mais vá prá o inferno,


este é o meu slogan


e o do sol.
 
 
Poema de Vladimir Maiakóvski

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Primeiros Passos em uma tarde quente...

A dança
  
Ela estava sentada em um banco, olhava para baixo como se estivesse procurando algo. Suas roupas eram gastas, seus sapatos roxos e suas meias pretas,  seus cabelos eram vermelhos e sua pele branca, suas mãos pequenas, com unhas pintadas de cor café. Estas mesmas mãos ajeitavam seus cabelos atrás da orelha, orelha esta que por sua vez tinham brincos em forma de argolas pequenas, seu olhar parecia esconder os mistérios do mundo.

Suas pernas estavam cruzadas e um dos pés balançava parecendo marcar o tempo, seus lábios se mechiam devagar, seus dentes passeavam pelos seus lábios enquanto seu olhar se perdia em algo que só ela pode saber.
O banco em que ela estava sentada é de madeira e está no chão de uma praça no centro da cidade. Agora que percebo que lágrimas caem de seus olhos, mesmo com um olhar distante as lágrimas estão presentes em seu rosto, o motivo pelo qual ela chora pode estar em qualquer lugar, mas o motivo pelo qual eu sinto o calor de suas lágrimas é algo que só eu sei.
As marcas do tempo estão em seu rosto já gasto pela vida e pelas lembranças de um passado que pertence há todos nós. Às vezes parece que ela não existe que é apenas uma miragem, uma personagem que eu criei para representar uma peça que nunca escrevi.
Vocês leitores devem estar se perguntando quem é esta mulher, e por qual motivo ela chora vocês também devem estar se perguntando quem eu sou, e por que resolvi rabiscar estas páginas.
Em primeiro lugar é bom lembrar que isto não é uma história, provavelmente, a mulher sentada no banco da praça não exista, a única coisa que importa neste momento tanto a mim quanto a vocês é saber seu eu existo e se vocês existem.

As luzes se acendem enquanto o alto-falante avisa que o parque está fechando.
Levanto minha cabeça e me deparo com algo inusitado, estou sozinho, não tem ninguém no parque além de mim. Está nova situação me perturba!
Pergunto-me onde a mulher do banco está a que horas ela foi embora? Será que eu cochilei, e ela se foi sem eu perceber? Ou será que ela não existe, a dúvida que antes era só de vocês, agora também é minha.
Ela existe mesmo?
A praça existe?
O banco existe?
E eu existo?
E se existo, onde estive, onde estou e para onde vou?
Levanto-me e saio andando em direção ao portão de saída. Minha bolsa está mais pesada que o normal, mas não me importa apesar de não saber o que tem dentro dela não a abro e continuo a caminhar em direção a saída...Continua

Juan Moravagine Carneiro

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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Madrugada...

Desisto de lutar contra o calor nesta madrugada e me levanto da cama em busca de algo para fazer. Escolho um disco entre tantos para me fazer companhia enquanto começo a rabiscar estas poucas palavras.



Minha presença sempre esteve ausente em vários lugares, porém, mesmo na ausência me fazia presente, nunca fui de querer chamar atenção, me fazer do mais isso ou aquilo, sempre dei mais importância ao olhar, aos gestos, aos detalhes. Olhar o mundo com outros olhos é a chave de nossas portas já dizia Blake! E por que não também de nossas janelas!


Não só ouvir o outro, mas entrar no mundo dele e fazer de tudo para realmente compreender o que ele quer dizer, sempre fui assim, mergulhando e tentando entender e compreender o que realmente querem nos falar... Isso desgasta, tira suas forças, principalmente quando você percebe que este esforço não é recíproco. Nunca vi diferença de um professor universitário para um morador de rua, sempre procurei perceber as particularidades e a subjetividade de ambos em seus respectivos contextos. A realidade infelizmente não é assim. Cada vez mais as pessoas se trancam mais, criam centenas de mascaras para inventar uma identidade que a muito não tem. Não conseguem conversar olhando nos olhos, sempre estão apelando para algo no sentido de se sentirem maiores, seja livros, roupas, “estilos”, a real essência a muito não vejo.


Apesar dos meus vinte e poucos minha ausência já esteve presente em muitos lugares e hoje me vejo cansado mentalmente e fisicamente... As paredes do tempo estão descascando, mas parece não passar para mim... Talvez eu tenha caído em uma armadilha que eu mesmo criei uma ilusão, talvez eu esteja vivendo um luto de algo que nunca tive e que nunca aconteceu... A cada dia que passa mais cascas caem no chão e eu não consigo sair, talvez seja por que eu nunca quis sair realmente. Nos últimos quatro anos as cascas caíram e caíram e caíram e meus pensamentos não mudaram, a dúvida rasteja e rasteja em volta de mim... A boêmia no sentido de Utrillo, Poe, Henty Miller, me fez acreditar que eu era pouco, que meu cotidiano era um tanto quanto tumultuado para conseguir atingir certo olhar.


Mas sem percebemos a Roda Viva segue seu curso nos jogando para lá e para cá, fazendo de nossas certezas e de nossos sonhos algo minúsculo perto de tantos acontecimentos que chegam sem ser anunciados! Um belo dia você acorda e tudo mudou suas roupas, seu cabelo, seus gostos, seus amigos, suas companhias, os lugares que você freqüenta... Só o olhar resiste ao tempo, mesmo cansado ele é quem mostra quem você realmente é, ele diz tudo, como o fígado de Prometeu que se levanta toda manha em busca de algo, uma eterna busca, mesmo sabendo que vai ser devorado por uma enorme ave... Preciso descansar um pouco, quem sabe o sitio do meu avô...


Sendo assim, talvez minha ausência se faça presente também neste espaço em uma tarde qualquer...



Juan Moravagine Carneiro

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Recortes de rascunhos inacabados

Sem lamentações o sol se pôs furado trazendo consigo a primavera gasta pelo tempo.


A mente cansada ao lado do corpo pesado se acomodam em uma cadeira de couro pregada no chão do passado com pregos do presente moribundo. Sentinelas que em outrora se sentiam injustiçados por sempre estarem presentes nas aulas e mesmo assim terem o mesmo tratamento dos ausentes como eu, hoje se tornaram os mais novos adeptos do ‘néon noturno de bairros seguros”....com o diploma de baixo dos braços é bem mais fácil. Assim como o poeta francês escreveu certa vez “a primavera me trouxe o pavoroso riso do idiota”


Atravesso o farol na saída da estação da Barra Funda e subo a viela...engraçado que ela é a mesma nos últimos cinco anos porém eu não...Um sujeito vende seus artesanatos nela eu paro para dar uma olhada...Oferece-me um pouco do seu vinho, ele por sua vez bebe um pouco de minha cerveja...sigo meu caminho...A cada dia que passa se torna mais difícil atravessar o parque e suas ruas vizinhas...passo reto e não subo...sigo a Matarazzo como sempre faço...Entro no estabelecimento em frente a outro farol...não sei para que serve o carro, só mata e polui...mas enfim cumprimento os funcionários....O Bigode me serve um Rum sem eu pedir...sem gelo como sempre...conversamos um pouco...realmente as coisas não andam fácil digo para ele!


Ele me perguntou se estou subindo, falo que sim....olho no relógio são 18:00 horas, minha aula começa as 19:40...tenho um tempo ainda penso comigo, no rádio começa a tocar Bob Dylan enquanto o céu desaba derrubando água para todos os lados...presto atenção nas luzes dos faróis dos carros parados no farol...entre eles um garoto atravessa correndo entrando no bar para fugir da chuva...sua mochila do programa aluno presente das escolas públicas do governo de São Paulo está gasta e molhada...ele encosta-se ao balcão e tira seus chicletes de dentro para ver se teve algum prejuízo...enquanto lamenta algumas caixinhas molhadas pela chuva esbarra em um sujeito de terno que toma um café com leite...o garoto pede desculpas e oferece uma cartela de chiclete para ele...”quero que você saia de perto de mim” o cara responde...o garoto abaixa a cabeça e vai saindo e indo para outro canto...olho para a cara do sujeito e vejo seu livro de direito no balcão...pergunto para ele se isso o excita ... finge não entender minha pergunta, então a repito – Você se excita ao tratar as pessoas do jeito que tratou o garoto?...ele não responde apenas fala que o garoto quase o molhou....olho ainda mais para ele e falo...Mas você acha que vai conseguir atravessar a Matarazzo nesta chuva sem se molhar? Você se acha melhor que alguém por que está usando um terno de risco de giz que as linhas nunca se encontram, ou por que tem um cartão do banco real ou por que faz um curso de direito que provavelmente depois de formado vai ficar anos sem passa na OAB? Era como se meu corpo estive-se possuído por algum espírito pagão....eu falava olhando para ele, mas sem saber como!


Ele me perguntou quem eu era...Disse para ele que eu não era nada e ele era um merda querendo chamar atenção...nessa hora o bigode se aproxima e me leva para uma mesa lá no fundo...quando sento nela vejo que o sujeito está atravessando a avenida na chuva, se molhando todo....sinto falta de minha bolsa e me lembro que a deixei no balcão, vou lá pegar ela...e vejo em cima dela uma cartela de chiclete, talvez em sinal de agradecimento, aquela cartela de chiclete valeu mais para mim que muitas “conversas” “intelectuais” e vazias de certos lugares...o garoto também já não estava mais lá...


Também resolvo enfrentar a chuva e subo para assistir minha aula, por causa da chuva hoje ninguém está vendendo nada na rua...nem o Bukowski com sua barraca de filmes,...Lembro-me que tenho que falar com ele para saber se ainda está de pé eu trabalhar com ele na feira da USP...


A professora ainda não chegou na sala...os rostos são estranhos na sala, me pergunto de onde eles surgiram...na próxima aula é meu seminário...ainda nem comecei a preparar ele...Literatura latino-americana...Gabriel Garcia Marques, Juan Rulfo, Pedro Juan Gutierrez...ainda não faço idéia do que falar...e sinceramente não estou preocupado...a cada dia que passa os corredores mais vazios...mais fantasmas caindo...sempre gostei da biblioteca aos sábados...o bar do mineiro na travessa da adega....indo para Sumaré...e depois algum show no Pompéia...voltar à noite pela estação da Água Branca, quer passarela mais soturna e cenário de algum conto do Poe que aquela? Space na São Bento...Masp de graça nas terças...Pinacoteca aos sábados...as brechas do centro velho de São Paulo, vielas, becos, Augusta e minorias...lojas de discos e vitrolas...sebos e brechós...chuva e sol...crentes pregando...bêbados e senhoras...policias e ambulantes...Angolanos e coreanos em seus respectivos negócios...Sensorial e as novidades musicais....Velvet sempre cara mas com seu charme...A ladeira que em outrora era habitada por burros de carga hoje me leva do Centro cultura de São Paulo ou para os teatros “independentes da Liberdade”...aproveito e passo na minha tia para ver meu avô...sempre com suas boinas...dizem que me pareço muito come ele...Acho que ano que vêm vou morar na casa dele no Paraná...Hora de ir para casa...condução cheia...e a vida mais vazia!

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domingo, 8 de novembro de 2009

Notas de um dia...

A fim de esperar o sol baixar resolvo entrar dentro de uma loja de discos no centro velho de São Paulo. Freqüento está mesma loja desde minha adolescência, com o tempo fui descobrindo que ela é muito boa para se comprar vinis de Jazz, Bossa Nova e MPB, pode-se dizer que tudo que tenho em casa nesses estilos foram adquiridos nela que se localiza perto da Galeria Olido.
Hoje estava percebendo o quanto meu gosto musical mudou nós últimos anos, e também as redondezas da loja de discos...Lembro-me bem que quando eu tinha 19/20 anos gostava de parar em uma banca de jornal que vendia livros usados, as histórias do senhor que era dono eram muito interessantes, sempre achei que ele estava ali só para conversar pois nunca vi ninguém comprando nada lá e ele por sua vez não parecia muito interessado em vender.
Mas não era só ele que tinha bancas assim, na praça atrás da biblioteca Mario de Andrade tinha outro senhor, a banca dele parecia um museu, cheia de livros empoeirados, quadros e lembranças...Consegui bons livros com ele...infelizmente eles foram expulsos e suas bancas arrancadas do centro...uma pena.
Enquanto procurava algum disco que me interesse olho para a vitrine da loja e tenho certeza que realmente a banca não está mais lá, ao mergulhar mais uma vez em minha busca, me deparo com um disco do Charles Mingus e começo a dar risada sozinho, Pois me faz recordar da Frida.
Ela sempre aparecia do nada, silenciosa, misteriosa com seu jeito despreocupado como todo felino tem...apesar dela ser da minha irmã eu que dei o nome de Frida para ela...Um certo dia estava ouvindo um disco do Charles Mingus em minha vitrola quando o telefone tocou, hoje não me lembro quem era, mas me recordo como se fosse hoje do barulho do vinil sendo arranhado.
Na hora pensei que o braço da vitrola houve-se caído ou algo assim, porém não podia ser pelo simples fato do disco parecer voltar para trás contra a agulha...desliguei o telefone e fui correndo para o meu quarto e me deparo com a Frida finalmente conseguindo sair de cima da vitrola assustada.
Quando ela me viu percebi que ao mesmo tempo em que ela estava aliviada de ter se livrado do disco que girava em suas, parecia preocupado em me ver ali no mesmo quarto que ela, acho que ela tinha percebido que não gostei nada de ver que ela tinha destruído meu vinil do Mingus. Mas não sei por que achei aquilo engraçado e enquanto eu recolhia o cadáver do vinil e guardava em capa a Frida sumia pela casa. Hoje aqui estou eu com um novo disco em minhas mãos, levo-o até o caixa e o pago e saio satisfeito de ter feito uma ótima compra.
As brechas existentes no centro de São Paulo sempre me fascinaram...lojas de discos ou sebos sempre me atraíram, hoje eu sei aonde achar cada disco ou livro que precisar nas centenas de sebos e lojas de discos que se encontram no centro velho de São Paulo, porém há uns especiais. Como o sebo que fica na rua arás das “vielas” do lado direito do Fórum João Mendes sentindo Liberdade, que procura contra-cultura ali é o lugar, apesar de ser caro, nem tudo é perfeito!
Hoje em dia não gosto tanto como gostava antes da Liberdade, o bairro está ficando chato, sempre que vou visitar meu avô lá, vejo que têm menos bares bacanas abertos os que têm são frios, sem música, como se tudo agora fosse descartável, só servimos para consumir rapidamente em um lugar e sair, aonde está a identidade dos espaços e das pessoas?...o teatro ainda funciona mas o pessoal anda muito “moderno” se é que me entendem, mas ainda assim é um bairro interessante, é uma ponte em certo ponto, pode-se ir sentido Vergueiro e parar no centro cultural, ou voltar sentindo Sé ou até mesmo ir para Paulista, tudo a pé, ou seja, quando estou com dúvida para onde ir vou para lá converso um pouco com meu avô e sigo meu rumo.
Mas hoje não estou a fim de ir para lá, então continuo caminhando com o disco do Mingus embaixo do braço....este horário de verão sempre me engana...tenho que ir para faculdade e ainda nem tive tempo de terminar este texto....

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

...aflige-se até tornar-se humano...

Canção


O peso do mundo 
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação

o peso
o peso que carregamos
é o amor.

Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -

sai para fora do coração
ardendo de pureza -

pois o fardo da vida
é o amor,

mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.

Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:

o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.

Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -

sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.



Poema: Canção de Allen Ginsberg





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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nada, Nada, Nada...



NOTHING
Nada nada nada 

Nada mais do que nada
Porque vocês querem que exista apenas o nada
Pois existe o só nada
Um pára-brisa partido uma perna quebrada
O nada
Fisionomias massacradas
Tipóias em meus amigos
Portas arrombadas
Abertas para o nada
Um choro de criança
Uma lágrima de mulher à-toa
Que quer dizer nada
Um quarto meio escuro
Com um abajur quebrado
Meninas que dançavam
Que conversavam
Nada
Um copo de conhaque
Um teatro
Um precipício
Talvez o precipício queira dizer nada
Uma carteirinha de travel's check
Uma partida for two nada
Trouxeram-me camélias brancas e vermelhas
Uma linda criança sorriu-me quando eu a abraçava
Um cão rosnava na minha estrada
Um papagaio falava coisas tão engraçadas
Pastorinhas entraram em meu caminho
Num samba morenamente cadenciado
Abri o meu abraço aos amigos de sempre
Poetas compareceram
Alguns escritores
Gente de teatro
Birutas no aeroporto
E nada.



Poema:
Patricia Galvão
Publicado na Tribuna de Santos no ano de 1962

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sábado, 3 de outubro de 2009

Bebeu o último copo sozinho....


(Julius Pince, Vidin, 1885 - Paris, 1930) Búlgaro pintor e relato
Jules Pascin


Meus pés sonham suspensos no Abismo
minhas cicatrizes se rasgam na pança cristalina
eu não tenho senão dois olhos vidrados e sou um órfão
havia um fluxo de flores doentes nos subúrbios
eu queria plantar um taco de snooker numa estrela fixa
na porta do bar eu estou confuso como sempre mas as galerias do
meu crânio não odeiam mais a batucada dos ossos
colégios e carros fúnebres estão desertos
pelas calçadas crescem longos delírios
punhados de esqueletos são atirados no lixo
eu penso nos escorpiões de outro e estou contente
os luminosos cantam nos telhados
eu posso abrir os olhos para a lua aproveitar o medo das nuvens
mas o céu roxo é uma visão suprema
minha face empalidece com o álcool
eu sou uma solidão nua amarrada a um poste
fios telefônicos cruzam-se no meu esôfago
nos pavimentos isolados meus amigos constróem um manequim fugitivo
meus olhos cegam minha mente racha-se de encontro a uma calota
minha alma desconjuntada passa rodando



Texto: Poema Boletim do mundo mágico de Roberto Piva
Imagen: Jules Pascin

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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Sonic Youth.........................


SONIC YOUTH EM SÃO PAULO NO DIA 07 DE NOVEMBRO NO PLANETA TERRA

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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Para guria dos Mosaicos


A Divina Comédia de Dante Alighieri
O relógio com os ponteiros quebrados se acomodam no alto de uma praça em quanto as vitrines da cidade...As pessoas dançam em volta da estátua de "Lieverdje" em chamas no ritual que se repete todos os sábados ministrado pelo Pontífice Grootveld em mais um de seus Happening onde o paradigma cartesiano não existe, e o ritmo do tempo não é pronto e acabado, pelo contrário, ele sempre renasce...como o fígado de Prometeu titã grego que roubou o fogo prioridade dos deuses dando ele aos humanos...Ah! o fogo sagrado que o filho de Clímene nos deixou também foi o deus de muitos lares reservados onde as mulheres de Atenas carregadas no colo eram apresentadas ao novo lar em uma cerimônia de casamento...A chama viva nas palavras do poeta romano Ovídio que no limbo da Divina Comédia de Dante Alighieri encontrou o mesmo que não o acompanha ao rio Lete onde bebe a água que o faz renascer como o tempo místico de um Happening.
Mas o tempo que não é o mesmo..."passou" para Carolina que mata sua sede em um bebedouro de um prédio tombado, decorado com vitrais religiosos, corrimões de madeira e olhares fortuitos...em uma sala quente, abafada, pouco ventilada e sem cortina mas cheia de sonhos...Carolina que também freqüentava o famoso prédio sempre se atrasava e quando chegava com seus cabelos molhados a exposição do orador para mim acabava...Mas na sala a noiva da cidade...enquanto os slides passavam você descansava apoiada...e sendo assim eu tinha que ir! E quando encostada no canto de uma parede entre os tambores e os clarinetes, o novo e o velho com seu mar ao meio... seus olhos..."Ela o olhou, e ele sentiu que o consumia uma chama - até os ossos": trecho de Simple Twist of fate do Bob Dylan...Carolina que também tinha o rosto, a casa e a vida de atriz...Carolina que não é Carolina para mim está mais para Cecília...que de cabeça baixa de sandália e trança...ou nas esquinas da cidade toda de preto se perdendo na multidão se perguntando se ainda prefere o brilho do sol em uma tarde de inverno.




Juan Carlo Moravagine

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

....

Arder na água, afogar-se no fogo.


Charles Bukowski

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

A uma passante


A UMA PASSANTE

A rua em derredor era um ruído incomum.
Longa, magra, de luto e na dor majestosa,
Uma mulher passou e com a mão faustosa
Erguendo, balançando o festão e o debrum;

Nobre e ágil, tendo a perna assim de estátua exata.
Eu bebia perdido em minha crispação
No seu olhar, céu que germina o furacão,
A doçura que embala e o frenesi que mata.

Um relâmpago e após a noite! - Aérea beldade,
E cujo olhar me fez renascer de repente,
Só te verei um dia e já na eternidade?

Bem longe, tarde, além, jamais provavelmente!
Não sabes meu destino, eu não sei aonde vais,
Tu que eu teria amado - e o sabias demais!

Poema de Charles Baudelaire

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

...

...Nunca deixei...
No dia frio tão esperado ... caminho pelas ruas de São Paulo em busca de algo que ficou para trás.Acompanhado de minha eterna companheira, aquela que nunca vai me abandonar, tento fugir da chuva que chegou sem avisar. Me escondo embaixo do vão do MASP projetado por um artista trancado em seu quarto que se nega a perceber que o seu fim chegou.

Enquanto à chuva caí observo o volume de água aumentar no asfalto sendo jogada para longe por carros apressados. O vento agora mais intenso faz meu cigarro ter seu fim antecipado como no trecho da canção do Cordel do Fogo Encantado: (estou fumando o cigarro da saudade e a fumaça escrevendo o nome dela), o sol furado luta bravamente contra as nuvens escuras que se aproximam dele enquanto apesar de não fumar vejo o dito cujo se dissolver em uma poça de água.

Os guarda-chuvas mesmo inúteis continuam sendo usados, as barras das calças molhadas, os sapatos encharcados, e as pastas debaixo dos braços protegidas como algo raro e de extrema importância.

Infelizmente o duelo no céu entre o sol e a tempestade mais uma vez passou despercebido, do outro lado à observa tudo, a lua comenta consigo mesmo "não adianta esperar algo daqueles que nasceram para se prender em suas próprias jaulas mesmo elas estando abertas".

Aos poucos o duelo começa o seu fim, aproveito e saio pelas ruas respirando e sentindo os restos da luta que ainda caem do céu. A noite começa a chegar e agora do outro lado da cidade subo as escadas do edifício trancado porém ainda habitado, divulgado e motivo de orgulho de muitos de seus habitantes. Já dentro dele subindo pela sua rampa ainda vejo ....ou melhor me recordo de um trecho de um livro da Anaïs Nin: (Já vi o romantismo sobreviver aos realistas. Já vi homens esquecerem-se das belas mulheres que possuíram...e lembrarem-se da primeira mulher que idolatraram, a mulher que nunca poderiam ter...a mulher que os estimulou romanticamente, literalmente os possui). Se fazendo presente mesmo na ausência.


Juan Carlo Moravagine






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quinta-feira, 20 de agosto de 2009

...Boca seca...

Quando menos espero me deparo mais uma vez preso dentro de uma jaula banhada de lembranças inacabadas, desencontros, sonhos e as dúvidas em relação a se eu fosse isso...se eu tivesse feito aquilo...se eu...!
William Blake dizia que quando abrimos uma porta é impossível voltar atrás, pois a expansão da mente é como uma flor que desabrocha lentamente citando Hassan Massoudy. No meu caso além das portas teve uma janela que foi aberta e até hoje a mesma não foi fechada, e para ser sincero agradeço todos os dias por ela ainda está aberta, mesmo que habitada muito pouco, na maioria das vezes só quem se faz presente nela é um ser vermelho com umas bolinhas pretas.
Entretanto sempre que há alguma movimentação na mesma me vejo mais uma vez diante de uma pergunta que me fizeram e que nunca respondi "Você nunca vai me tirar esta dúvida?" provavelmente não, afinal novas portas a toda hora são abertas, novos caminhos, novos rumos, novas tentativas, mas isto não quer dizer que a possibilidade de responder aos "se" não alimente meu mosaico espanhol.



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domingo, 16 de agosto de 2009

Mosaicos...Para a vida e para o Sol.

Você não precisa do sol pois carrega o brilho dele.

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sábado, 15 de agosto de 2009

Lembranças quebradas


eles continuam a escrever
a despejar poemas –
jovens rapazes e professores universitários
mulheres que bebem vinho toda a tarde
enquanto os maridos trabalham,
eles continuam a escrever
com os mesmos nomes nas mesmas revistas
cada ano a escreverem pior,
publicam colectâneas de poesia
e despejam mais poemas
parece um concurso
é um concurso
mas o prémio é invisível.

eles não escrevem nem contos nem ensaios
nem romances
apenas
despejam poemas
todos parecidos com os dos outros
e cada vez menos originais,
e alguns dos rapazes cansam-se e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho toda a tarde
nunca, mas mesmo nunca, desistem
e chegam outros rapazes com novas revistas
e há troca de cartas entre poetas e poetisas
alguns chegam a foder
e tudo é exagerado e aborrecido.

quando os poemas saem
eles reescrevem-nos
e enviam-nos para a próxima revista na lista,
e fazem leituras
todas as que conseguem fazer
a maior parte de borla
na esperança que alguém repare neles
que alguém os aplauda
lhes reconheça o talento
os felicite
eles estão convencidos da sua genialidade
há muito poucas dúvidas,
e muitos vivem no Grande Porto ou Grande Lisboa,
e as suas caras são como os poemas que escrevem:
semelhantes,
e conhecem-se uns aos outros e
reúnem e odeiam e admiram e escolhem e expulsam
e continuam a despejar mais poemas
mais e mais poemas
mais e mais poemas
o concurso dos pasmados:
tap tap tap, tap tap, tap tap tap, tap tap…



Um poema cruel de de Bukowski


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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Hasta!

A Flauta-Vértebra

Prólogo

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
Esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

1915

Vladímir Maiakóvski
(Tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Primavera Negra

La Rue à cagnes de Soutiné


OS ARTISTAS TEM OUTROS TALENTOS, QUE NÃO OS DA ETIQUETA.


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terça-feira, 28 de julho de 2009

Dias que assombram

Imagem: Minotauro de Pablo Picasso


Tomo mais um gole de Run em uma mesa de bar banhada de lembranças alheias, ouço Van Morrisson enquanto rabisco estas palavras pensando em você doce menina autora de contos. Por mais que você diga o contrário, por mais que seus textos sejam “intensos”, mergulho nos mesmos e percebo uma menina linda e sonhadora que se faz presente em seus gestos e palavras que se contradizem.
Seus olhos escuros dançam em minha mente como serpentes no deserto, a fumaça que vejo você tragar aquece meu fígado gasto pelo tempo, se você soube-se o quanto minha vida têm sido vazia, o quanto meus pensamentos têm andado cabisbaixos.
Meu corpo hoje pesado contradiz o passado recente, as lembranças antigas são pisoteadas enquanto os botões das camisas não mais fecham , peço outra dose e me lembro de seu sorriso e de suas histórias em encontros literários, às vezes me sinto pequeno perto de você.
A chuva caí enquanto penso no frio em minhas pernas e na moça que atravessa o farol, ela poderia ser capa de qualquer revista de moda, mas nunca conseguirá ter seu brilho menina que freqüenta morros banhados à fumaças e companhias muita das vezes alheias a realidade.
Às vezes fico me perguntando o porque dos olhares, dos medos e das desconfianças inúteis... criadas do nada, de uma frase...



Juan Carlo Moravagine

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