sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Balada para um louco


Num dia desses ou, numa noite dessas você sai pela sua rua ou, pela sua cidade, ou, sei lá, pela sua vida, quando de repente, por detrás de uma árvore, apareço eu!!!


Mescla rara de penúltimo mendigo e primeiro astronauta a pôr os pés em vênus. Meia melancia na cabeça, uma grossa meia sola em cada pé, as flôres da camisa desenhadas na própria pele e uma bandeirinha de táxi livre em cada mão.


Ah! ah! ah! Você ri... você ri porquê só agora você me viu. Mas eu flerto com os manequins, o semáforo da esquina me abre três luzes celestes. E as rosas da florista estão apaixonadas por mim, juro,vem, vem, vamos passear.


E assim meio dançando, quase voando eu te ofereço uma bandeirinha e te digo: Já sei que já não sou, passei, passou. A lua nos espera nessa rua é só tentar. E um coro de astronautas, de anjos e crianças bailando ao meu redor, te chama: vem voar.


Já sei que já não sou, passei, passou. Eu venho das calçadas que o tempo não guardou. E vendo-te tão triste, te pergunto: O que te falta?...talvez chegar ao sol, pois eu te levarei.


Ah! Ah! Ah! Ah! Louco, louco, louco! Foi o que me disseram quando disse que te amei. Mas naveguei as águas puras dos teus olhos e com versos tão antigos, eu quebrei teu coração.


Ah! Ah! Ah! Ah! Louco, louco, louco, louco, louco! Como um acróbata demente saltarei dentro do abismo do teu beijo até sentirque enlouqueçi teu coração, e de tão livre, chorarei.


Vem voar comigo querida minha, entra na minha ilusão super-esporte, vamos correr pelos telhados com uma andorinha no motor. Ah! Ah! Ah! Do Vietnã nos aplaudem: Viva! viva os loucos que inventaram o amor!


E um anjo, o soldado e uma criança repetem a ciranda que eu já esqueci...Vem, eu te ofereço a multidão, rostos brilhando, sorrisos brincando.


Que sou eu? sei lá, um... um tonto, um santo, ou um canto a meia voz.


Já sei que já não sou, nem sei quem sou. Abraça essa ternura de louco que há em mim. Derrete com teu beijo a pena de viver. Angústias, nunca mais!!! Voar, enfim, voaaaarrr!!! Ama-me como eu sou, passei, passou.


Sepulta os teus amores vamos fugir, buscar, numa corrida louca o instante que passou, em busca do que foi, voar, enfim, voaaaarrr!!!Ah! Ah! Ah! Ah!...Viva! viva os loucos!!!


Viva! viva os loucos que inventaram o amor!


Viva! viva! viva!





Balada para um louco
Astor Piazzolla e Horácio Ferres
Imagem: pintura de Pablo Picasso

6 comentários:

  1. Eu adorei o texto!*___*
    Nossa, faz tempo que não passo aqui!

    E sim, os loucos que inventaram o amor, só eles têm essa coragem de se doar tanto essa coragem desmedida de se expor ao sofrimento sem medo.

    Falando agora me lembrei de um poema do fernando pessoa(?) que a Maria Bethânia interpreta: "Cartas de amor são ridículas"

    Bom domingo!=P

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  2. Eu não vou comentar agora esse post pq to sem cabeça... Mas vim agradecer seu comentário no meu blog e dizer q vc falou como um verdadeiro cigano!!! Parabéns por sua alma cigana...
    bjos saudades

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  3. Adorei o "Sepulta os teus amores vamos fugir".. mesmo que a intenção seja Sepulta os teus amores, vamos fugir... Lì ao contrário... te aquieta, Sepulta os teus amores vamos fugir! Como se "vamos fugir" fosse um tipo de amor. A gente tenta fugir da gente com estes amores-ilusórios "vamos fugir"....
    Bárbaro!
    PS: não sou budista não. Mas encarei sua dúvida como um elogio. Admiro o budismo.

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  4. Ah, o Pavement é conhecido por nome, pq o RHCP já mencionou que tem influência.

    O pixies é com um carinha sinistro, e uma mulher na guitarra (?) acho que sei qual é!

    Boas dicas, valeu!

    boa semana pra vc
    =D

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  5. gostei muito!

    mas gosto ainda mais da música!!!


    bj


    CSD

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- Chegue diante do quadro sem intenção preconcebida de sarcasmo.

- Olhe para a pintura do mesmo modo como olharia para uma pedra talhada. Aprecie as facetas, a originalidade da formam, a luta com a luz, a disposição da linha e das cores [...]

- Escolher um detalhe que seja a chave do conjunto, fixá-lo por um bom tempo, e o modelo surgirá.

- Nessa última comparação, deixar-se levar até as regiões da mais requintada Alusão.

Max Jacob


Que os vasos se comuniquem!

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