sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mademoiselle

Lambo o gosto vencido de sua boca fétida
banhada à bebida e cigarros baratos
Sinto minha lingua deslizar pelos seus dentes podres
Seu corpo não depilado combina com sua maquiagem de dias
Dama da noite...

Seu par de sapatos vermelhos
Encontrados em uma alguma lixeira
de algum edifício no centro da cidade
Mantém você em pé e sua cabeça erguida

Dama da noite

Você não frequenta casas "undergraunds" e não bebe coquetéis da moda
Você frequenta becos e ruas escuras
bares sujos
E bebe aguardente com groselha

Dama da noite

como lhe respeito
Se você soubesse que encostada neste balcão contando suas moedas
e notas amassadas
enfrentando certos olhares...
És ainda bela
E carrega em seu olhar um brilho que nenhuma Chanel pode comprar

Dama da noite

que sozinha caminha com seu cigarro na boca em busca de seu destino!

Texto: Poema de Juan Moravagine Carneiro
Imagem: Trabalho de Lucien Freud

33 comentários:

  1. Forte texto, Juan, um poema e tanto!

    Beijos.

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  2. A realidade triste, a decadência do ser humano que, mesmo em seu pior momento, mesmo perdido nas sombras da vida, ainda é um ser humano e como tal, deve ser respeitado.
    O dia em que percebermos que o desespero de um é o desespero de todos e que o inverso disso deveria ser o real objetivo de todos nós, nunca mais ouviríamos: antes ele do que eu!
    Beijos.

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  3. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

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  4. Senti a crueza dos versos,
    e aí reside uma beleza rústica e sofrida,
    pouco badalada,
    uma beleza não comercial,
    não desfilada,

    o poeta vê aquilo que os outros não vêem,
    o absurdo torna-se belo,

    Abraço,

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  5. senti t.s.elliot e os seus "crabs" a rondarem o porto esquálido, onde a carne apodrece no corpo...
    um abraço, juan!

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  6. Mais uma viagem que fiz, fui aos becos e vi as notas amassadas...maravilhoso texto.
    Minha admiração!

    Bjs Juan
    Mila Lopes

    PS: Sim, tenho dois Blogs.

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  7. Caro Juan, resta às Damas da Noite uma cadela fiel e sarnenta por companhia.
    Texto em estado bruto, mas nem por isso menos importante.
    Parabéns, poeta!
    Abração.

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  8. Mais do que destino, um sina. Escolhida? A sina ou a dama? Não sabemos em qual esquina os sonhos se perderam. Ou fugiram? Tinham medo? Foi frio? Não importa. Com seu salto torto, meias gastas, ali se equilibra a dama da noite...
    Você, hein? O que dizer? AMO SUAS PALAVRAS! Sabe o que estou descobrindo? Que a sorte tem estado ao meu lado - pessoas tão talentosas que, na rua jamais chamariam minha atenção (e nem eu a delas), mas que aqui, mostrando-nos o seu melhor, meus olhos arrebatam! E você, Rafa querido, é um deles (Ao lado da Ester, lá mais em cima nos comentários!). Big beijo! Deia.

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  9. ...olhares das mulheres, todos e todas, têm seu brilho,

    abração
    ns

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  10. Excelente, Juan. A beleza é da alma, ainda que vestida em trapos.

    Um beijo pra você

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  11. Que imagem Juan, me causou espanto,

    me causou tantas coisa

    gosto do poema assim, louco, desvairado

    que vai e nos cospe a cara coisas sejas e belas.

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  12. i-n-t-e-n-s-o.


    seus poemas me causou tantas sensações. a começar pela imagem.


    bj seu moço

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  13. Que poema lindo e lindo também porque insere uma realidade: você observa a vida.
    Em conteúdos.

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  14. Uma personagem em versos.Bastante interessante, Juan.

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  15. Enquanto estava te lendo, chegou teu
    comentário sobre o "Fio de vida"... E imaginei tua dama da noite dizendo "Até onde meu fio de vida me levará?"

    Abraço!

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  16. Quando leio o que você escreve, sempre me vêm imagens à cabeça, que pra mim, são o "íntimo" do ser humano. O cru, que é bonito por sua essência! Parabéns.

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  17. Vim agradecer a tua visita e veja o que eu encontro: algo novo, intenso, fora dos padrões. Adorei.

    Beijo.

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  18. a beleza é sua essência, por isso merece respeito...

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  19. Texto lindíssimo! De uma lindeza que dói... Lindamente triste.
    Grande abraço

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  20. Este comentário foi removido pelo autor.

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  21. Rafael, há uma força em seus últimos textos, absorvo muitas pedras preciosas, dizeres elevadíssimos, e palavras variadas [vertentes] rondam minha mente, e ao mesmo tempo não me sinto apta no expor, pois lá no fundo me é solicitado uma releitura que captura o entrelinhado do entrelinhado, com isso retiro-me em luxo por enamoramento do que se pede em garimpação.

    Voltarei e vomitarei as partes já elaboradas em texto.

    Abraços ave rara!

    Priscila Cáliga

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  22. acho o beco underground, dama da noite me lembra o texto do caio.bjs.

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  23. Devia causar repulsa, mas teve efeito contrário.
    Lembra alguém que conheço...

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  24. Quem beija a boca da dama da noite?
    O poeta?
    Rendes uma homenagem ou tenta capturar parte da vida que pulsa ou repulsa?

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  25. Rafael

    Nem toda a escuridão da noite consegue ofuscar o brilho de uma Dama!



    Palavras fortes de uma realidade não menos dura!
    Bjs, meu querido!

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  26. Forte, cru e belo, sempre,heim?
    abraços,
    Tânia

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  27. é V_ acho que vou ter que ler Caio...pois nunca li...o pouco que conheço foi através da Vanessa...

    beijos

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  28. Os becos da vida ...

    Assim os são!

    Perfeito Juan!

    Aquele abraço de sempre!

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  29. Que lindo poema... uma pincelada meio triste, mas uma verdadeira obra de arte, me lembrou a rua Augusta: de dia boca do luxo, à noite boca do lixo.

    BeijooO*

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  30. aí...
    gostei desse poema
    esse mundinho de "miséria" e "baixezas" muito me interessa.

    legal legal.

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- Chegue diante do quadro sem intenção preconcebida de sarcasmo.

- Olhe para a pintura do mesmo modo como olharia para uma pedra talhada. Aprecie as facetas, a originalidade da formam, a luta com a luz, a disposição da linha e das cores [...]

- Escolher um detalhe que seja a chave do conjunto, fixá-lo por um bom tempo, e o modelo surgirá.

- Nessa última comparação, deixar-se levar até as regiões da mais requintada Alusão.

Max Jacob


Que os vasos se comuniquem!

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