Borboletas gritam
As serpentes rastejam
Os móveis se aconchegam
Suspiros dentro de um útero furado
Biscoitos escorregam devido ao sebo nas paredes
As torneiras estão abertas e o porão está molhado
Os cachorros brincam em volta da mesa
Moscas correm pelos corredores...
Enquanto os vazamentos levam suas certezas
Pedaços de mente vagueiam por um túnel iluminado
Arcanjos amordaçados transpiram suor sangue
A temperatura está abaixando enquanto os sinos tocam
Uma virgem sonha com os toques de seu amante
A viagem está se iniciando
Pílulas brancas constroem o percurso
O comandante grita anunciando a partida
Marujos correm para seus postos
Deixando para trás fadas acorrentadas
O crepúsculo renasce rachado diante da Ágora habitada
Por jogadores,
Devedores,
Prostitutas e assaltantes de capelas e supermercados
Todos estão confusos diante dos doentes achatados
Que embarcaram em última hora
No cais à batida dos tambores aumentam enquanto alguns festejam
A partida do navio marcado
O mar corresponde, ventos acordam
A tempestade está aumentando
As crianças gritam em despedida
Os pais marginalizados respondem com acenos
O ritual recomeça
Sem que ninguém perceba
Poema de Juan Moravagine Carneiro
OBS: Este poema já foi publicado em outra oportunidade neste mesmo blog, porém com algumas alterações.
nau q vai levar o mal pra outro cais.
ResponderExcluirgostei do poema
da descrição suja das coisas e pessoas principalmente
legal legal.
Já tinha lido.
ResponderExcluirÉ um cenário bem interessante a ser imaginado.
Juan,
ResponderExcluirés assim...
"Por que escrevo? Antes de tudo porque captei o espírito da língua e assim às vezes a forma é que faz conteúdo".
Lispector
Amplexos
Priscila Cáliga
O surrealismo de misturar várias vidas num dia, num poema.
ResponderExcluirMuito bom!
Abraço.
Juan,
ResponderExcluirObrigado por suas palavras...sinto-me feliz por tê-lo levado ao meu espaço, um lugar onde as coisas falam por si...
Aqui encontrei um recanto especial, um branco cheio de cores...talvez o acúmulo de todas elas,...num luto desesperadamente colorido!
Adorei esses "Olhares", pareceu-me não só um observar das coisas, mas uma profunda interação com elas!
Mais uma vez obrigado!
Um grande beijo e seja bem vindo sempre ao Pensamento...
Mell
gosto mt de quem tem capacidade de organizar as palavrinhas que abrem cenários dentro de outrs cenários.
ResponderExcluirbeijo Don.
Galeria mental, caro Juan. Há rostos, imagens, sons, aromas, sensações, toques... tudo com o mar emoldurando o quadro. Belíssimo!
ResponderExcluirUm abraço!
Ótimo.
ResponderExcluirAnselmo
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirJuan, este teu comentário: 'como se um quadro fosse pintado com palavras vivas', lembra-me do trecho de um livro que me chegou em mãos hoje, estava meu tesouro emprestado.
ResponderExcluirRespire em mim... fundo,
Para que eu respire... e viva.
E me abrace apertado para eu dormir
Suavemente segura por tudo que você dá
Venha me beijar, vento, e tire meu fôlego
Até que você e eu sejamos um só
E dançaremos entre os túmulos
Até que toda a morte se vá
E ningém sabe que existimos
Nos braços um do outro
A não ser Aquele que soprou o hálito
Que me esconde livre do mal
Abraços vaso!
Priscila Cáliga
como assim, desconforto? foi tão alegrinho rs
ResponderExcluirgostei muito Juan. o seu poema dá-nos muito mais do que a decadência que retrata.o cais, o mar abrem o horizonte , apesar do:
ResponderExcluir"O ritual recomeça
Sem que ninguém perceba"