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terça-feira, 8 de março de 2011

...é suave o desejo. E mesmo na ausência seu brilho sempre "nos" acompanha...!


"A criancice é típica do homen. A mulher nunca foi criança, nunca será criança. Ela vem preparada para ser algo especial no mundo, que, no caso, é uma coisa irreversível, não há nada que possa evitar isso que é o gerar filhos. Ela é mais preparada em uma série de coisas.
O filho do homem é a bomba atômica, é o plástico..." (HENFIL)



Allen Ginsberg - 1926 - 1997
Canção

O peso do mundo
é o amor.
Sob o fardo
da solidão,
sob o fardo
da insatisfação


o peso
o peso que carregamos
é o amor.


Quem poderia negá-lo?
Em sonhos
nos toca
o corpo,
em pensamentos
constrói
um milagre,
na imaginação
aflige-se
até tornar-se
humano -


sai para fora do coração
ardendo de pureza -


pois o fardo da vida
é o amor,


mas nós carregamos o peso
cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
finalmente
temos que descansar nos braços
do amor.


Nenhum descanso
sem amor,
nenhum sono
sem sonhos
de amor -
quer esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
ou por máquinas,
o último desejo
é o amor
- não pode ser amargo
não pode ser negado
não pode ser contigo
quando negado:


o peso é demasiado
- deve dar-se
sem nada de volta
assim como o pensamento
é dado
na solidão
em toda a excelência
do seu excesso.


Os corpos quentes
brilham juntos
na escuridão,
a mão se move
para o centro
da carne,
a pele treme
na felicidade
e a alma sobe
feliz até o olho -


sim, sim,
é isso que
eu queria,
eu sempre quis,
eu sempre quis
voltar
ao corpo
em que nasci.

Textos: Fragmento de uma entrevista de  Henfil e um poema (Canção) de Allen Ginsberg.
Imagem: Tela de  (Frida Kahlo)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Madeira norueguesa...

Certa vez eu tive uma garota
Ou devo dizer
Que ela me teve?

Ela me mostrou seu quarto,
Não é bom?
Madeira norueguesa...

Ela me pediu para ficar e disse para sentar em qualquer lugar
Então olhei em volta e notei que não havia uma cadeira

Sentei em seu tapete
Dando meu tempo
Bebendo seu vinho

Conversamos até as duas horas
E então ela disse:
É hora de dormir?

Ela disse que iria trabalhar cedo e começou a rir
Eu disse que eu não e me arrastei para dormir no banheiro

E quando acordei,
Eu estava sozinho
O pássaro tinha voado

Então acendi um fogo,
Isso não é bom?
Madeira norueguesa

Texto: Canção (Norwegian Wood), dos Beatles 
Imagem: Performace de Duchamp, em 1963.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Triste Fim!

Verão de 1911. Picasso está passando uma temporada na cidade de Céret, quando recebe o Paris-Journal com a seguinte manchete: (Roubaram a Monalisa do Louvre). Pior, um aventureiro belga tinha se apresentado, dizendo que foi ele quem roubou a tela e também mais três estatuetas do museu. Picasso faz as malas e volta para Paris. Ele conhecia o tal belga, um amigo de Apollinaire. E tinha comprado dele duas das três estatuetas roubadas. Foram usadas por Picasso como estudos para compor o quadro Les demoiselles d`Avignon... Apollinaire, que intermediou a tal compra, vai receber Picasso na estação de trem. Estão temerosos...

São estrangeiros e têm medo de ser deportados caso sejam descobertos. Juntos, tentam decidir como irão se desfazer dos objetos do delito. Pegam uma mala, colocam as duas estatuetas dentro e saem, decididos a atirá-la no Sena. Estão quase chegando quando avistam um vulto, dão meia-volta e desistem.
No dia seguinte, os artistas pegam a mala novamente e seguem para a redação do Paris-Journal. Eles tinham negociado com o jornal o segredo, em troca da publicidade que a notícia das estatuetas recuperadas traria para o veículo.
Dias depois, Apollinaire acorda com a campainha. Era a polícia, com um mandado de busca. Foi levado preso e indiciado por receptação e cumplicidade de roubo. No dia seguinte, a campainha soa no apartamento de Picasso. Levado à delegacia, é colocado cara a cara com Apollinaire. Diz várias vezes: "Mão conheço nem nunca vi esse homem". É liberado, mas o poeta fica mais cinco dias preso.
Apollinaire só seria totalmente inocentado meses depois. Nunca mais a amizade dos dois seria a mesma. No ano seguinte: seria revelado a identidade do ladrão da Jaconde um italiano, funcionário do museu, que pretendia levar a tela de volta a seu país de origem..."

Texto: Fragmento de um livro do grande Dan Franck
Imagem: Nu, folhas verdes e busto) de Pablo Picasso, de 1932, foi vendido em uma leilão por US$ 106,4 milhões.

OBS: Logo após este fato ter ocorrido, Picasso nunca mais foi visto pelos artistas de Paris como antes, o mesmo passou a ser visto como uma espécie de "traídor". Apollinaire foi um dos que mais defendeu Picasso antes deste fato, foi um dos que mais o ajudou. E mesmo depois de ter sido largado em uma cela de prisão se passando como mentiroso Apollinaire nunca revelou a verdadeiro identidade de Picasso......Ou seja, é por este e outros fatos que não considero Picasso o maior pintor do século XX, na verdade não coloco o mesmo nem entre os cinco melhores...!
O quadro presente no post (pintura de Picasso), foi vendido por US$ 106,4 milhões...Interessante se notar que no contexto não só de Picasso, como também de Apollinaire, Utrillo, Soutine entre outros, seus quadros eram trocados por pratos de sopas, ou vendidos para se pagar o aquecedor...!

(A arte quando aceita perde sua essência, e se torna adorno dentro de salas vazias)

sábado, 3 de outubro de 2009

Bebeu o último copo sozinho....


(Julius Pince, Vidin, 1885 - Paris, 1930) Búlgaro pintor e relato
Jules Pascin


Meus pés sonham suspensos no Abismo
minhas cicatrizes se rasgam na pança cristalina
eu não tenho senão dois olhos vidrados e sou um órfão
havia um fluxo de flores doentes nos subúrbios
eu queria plantar um taco de snooker numa estrela fixa
na porta do bar eu estou confuso como sempre mas as galerias do
meu crânio não odeiam mais a batucada dos ossos
colégios e carros fúnebres estão desertos
pelas calçadas crescem longos delírios
punhados de esqueletos são atirados no lixo
eu penso nos escorpiões de outro e estou contente
os luminosos cantam nos telhados
eu posso abrir os olhos para a lua aproveitar o medo das nuvens
mas o céu roxo é uma visão suprema
minha face empalidece com o álcool
eu sou uma solidão nua amarrada a um poste
fios telefônicos cruzam-se no meu esôfago
nos pavimentos isolados meus amigos constróem um manequim fugitivo
meus olhos cegam minha mente racha-se de encontro a uma calota
minha alma desconjuntada passa rodando



Texto: Poema Boletim do mundo mágico de Roberto Piva
Imagen: Jules Pascin

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Primavera Negra

La Rue à cagnes de Soutiné



OS ARTISTAS TEM OUTROS TALENTOS, QUE NÃO OS DA ETIQUETA.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

A produção cultural na ótica piqueteira



“O novo artista protesta”, escreveu Tzara em 1919. “Ele não pinta mais: ele cria diretamente”.



É aquele que através de sua produção cultural, resiste e luta da mesma forma que o outro que esta no piquete, pois dentro da perspectiva dos MTD´S, (Movimento dos trabalhadores desempregados da periferia da Argentina), e a partir de novas formas de relações sociais que há entre os moradores, não há uma ruptura entre a política e a arte; ambas fazem parte de uma mesma construção de realidade, que foge dos padrões preestabelecidos pela grande mídia e seus algozes.
O novo artista esta em todos os lugares, e procura por brechas para mostrar que sua forma de luta também é válida.
Este novo artista é reflexo da realidade no qual ele esta inserido, ele é o espelho da luta e da resistência destas organizações populares, é através das diversas formas de representatividade destes artistas (música, teatro, literatura), que é possível há construção de uma cultura dentro das relações sociais que os moradores dos bairros da periferia de Buenos Aires, constroem diariamente.
Assim como a ação direta dos piqueteiros, a resistência cultural destes movimentos é um tapa na cara, das grandes corporações, pois é através da cultura popular e da luta diária destes moradores que ressurge a auto-estima e a imaginação de um povo que caminha com suas próprias pernas.
O novo artista, é fruto do cotidiano, é reflexo da luta dos trabalhadores e de suas diversas formas de resistência, é aquele que tem vontade de destruir, e ao mesmo tempo criadora, pois é em cima dos destroços de um sistema que ele não mais aceita que ele cria novas formas de relações sociais, e alternativas que não dependem do aparato governamental.
O novo artista não é representado pela arte aceita, pois está tem que ser destruída, se foi aceita é porque é inofensiva, o novo artista não é inofensivo, ele ofende a moral pré-estabelecida que só pune e castiga os inocentes, ele agride quem diz que o povo tem que ser submetido a partidos e a planos metafísicos representados por um paraíso distante, o novo artista esta dentro de todos os moradores dos bairros da periferia não só de Buenos Aires, mas de todos os outros, que vem na organização popular e autônoma, novas formas de resistência.

A arte e a revolta se morreram com o último homem
Albert Camus.

Juan  Moravagine

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Plano das bicicletas brancas




Cidadãos de Amsterdãm ( São Paulo)




Basta com o asfáltico da classe média motorizada! Todo dia, as massas oferecem novas vitímas em sacrificio ao último patrão a quem se debraram: a auto-ridade. O sufocante monóxido de carbono é seu incenso. A visão de milhares de automóveis infecta ruas e canais.


O plano Provo das bicicletas nos libertará deste monstro. Provo lança a bicicleta branca de propriedade comum. A primeira bicicleta branca será apresentada ao público quarta-feira, 28 de junho, às três da tarde, na avenida..., o monumento ao consumismo que nos torna escravos.


A bicicleta branca está sempre aberta. A bicicleta branca é o primeiro meio de transporte coletivo gratuito. A bicicleta branca é uma provocação contra a propriedade privada capitalista, por que a bicicletabra branca é anarquista! A bicicleta branca está à disposição a quem quer que dela necessite. Uma vez utilizada, nós a deixamos para o usuário seguinte. As bicicletas branas aumentaraõ em número até que haja bicicletas suficientes para todos, e o transporte branco fará desaparecer a ameaça automobilistica. A bicicleta branca representa simplicidade e higiene diante da cafonice e da sujeira do automóvel. Uma bicicleta não é nada, mas já é alguma coisa.



GUARNACCIA, Matteo. Provos: Amsterdam e o nascimento da contracultura, Ed. Conrad, coleção Baderna, pp.76. Ano de 2001.

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