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terça-feira, 20 de abril de 2010

Não seja perfeito!


“...Na verdade, aqueles entardeceres com rum e luz dourada e poemas duros ou melancólicos e cartas aos amigos distantes me faziam ganhar confiança em mim mesmo. Se você tem idéias próprias - mesmo que sejam poucas idéias próprias - tem que compreender que estará sempre encontrando caras feias, gente que vai fazer questão de lhe dar o contra, de diminuí-lo de fazer você entender que não tem nada a dizer, ou que você deve evitar aquele sujeito porque é louco, ou efeminado, ou um verme, um ladrão,outro porque é punheteiro ou voyeur ,outro porque é ladrão, outro macumbeiro, espírita, maconheiro, outra porque é canalha, indecente, puta, sapatona, mal-educada....
Ele reduzem o mundo a umas poucas pessoas hibridas, monótonas, aborrecidas e perfeitas. E assim querem transformar você num excluído, num merda. Jogam você de cabeça na seita particular deles para ignorar e suprimir todos os outros. E lhe dizem:

"...A é assim, meu senhor, um processo de seleção e descarte. Nós somos donos da verdade. O resto que se foda. E como passam trinta e cinco anos martelando isso no seu cérebro,quando você está isolado se acha o máximo e se empobrece muito porque perde uma coisa bonita da vida ,que é desfrutar a diversidade, aceitar que nem todos somos iguais e que se assim fosse seria muito chato..."

Trecho do conto (A lembrança da ternura), de Pedro Juan Gutiérrez
Imagem: Cena do filme (Crime e Pecados), direção de Woody Allen.

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